Alstom instala fábrica de VLT em Taubaté

A francesa Alstom inaugurou em março sua nova fábrica na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, onde irá produzir os veículos leves sobre trilhos (VLTs), modelo Citadis, para atender ao mercado brasileiro e aos demais países da América Latina. O complexo industrial foi erguido com investimentos de R$ 50 milhões.

A nova fábrica tem cerca de 16 mil metros quadrados e capacidade para produzir de sete a oito trens por mês. Como forma de assegurar as boas práticas ambientais esta unidade utilizará água proveniente de chuva para os testes feitos com água nos trens. Quando estiver em operação plena, irá gerar cerca de 150 empregos diretos.

Os primeiros VLTs a serem produzidos na fábrica de Taubaté são parte dos 32 trens modelo Citadis encomendados em setembro de 2013 pelo consórcio VLT Carioca, da cidade do Rio de Janeiro. Este contrato integra o projeto Porto Maravilha, liderado pelo município, para modernizar a zona portuária do Rio. Os 32 VLTs Citadis serão entregues sem catenária, juntamente com fonte de alimentação, sistemas de sinalização e telecomunicações.

Segundo Michel Boccaccio, vice-presidente sênior da Alstom Transport na América Latina, os primeiros cinco trens desse projeto serão feitos na França e os demais no Brasil, como parte da transferência de tecnologia ao país. A produção dos 27 trens já se inicia a todo vapor na nova fábrica em Taubaté.

Boccaccio comenta que a Alstom está em fase de negociação para outros projetos, como o do VLT de Goiânia, que se destaca entre os mais importantes e bem estruturados planos de mobilidade do Brasil. “Existem possibilidades em outras cidades também, não somente no Brasil, mas em outros países da América Latina”.

O vice-presidente destaca que a Alstom ainda não tem negociações fechadas com outros países da América Latina. “Muitas cidades da América Latina estão analisando possíveis projetos de VLT e nós achamos que, como aconteceu na Europa a partir de 1990, com as necessidades de mobilidade e desenvolvimento rápido dos centros urbanos, esses projetos vão se tornar realidade”, afirma.

Boccaccio informa que está prevista para ser inaugurada neste ano em Cuenca, no Equador, uma linha de VLT que poderá transportar até 120 mil passageiros por dia. Os VLTs estão sendo produzidos pela Alstom na França, com financiamento do governo francês. “O sistema de dez quilômetros (10,5 em cada direção — 21 quilômetros no total) inclui 20 estações e atravessa o centro histórico de quatro quilômetros”, explica o vice-presidente.

Visão de longo prazo

A inauguração da nova fábrica no momento em que o Brasil passa por instabilidade econômica foi definida, segundo Boccaccio, porque um investimento dessa magnitude não é feito com uma visão de curto prazo. “O Brasil já passou por muitas crises e essa crise vai passar, permitindo que o país se recupere e volte a crescer. Nosso investimento está baseado em um estudo profundo das tendências do mercado metroferroviário a médio e longo prazo e, por isso, decidimos investir em uma nova fábrica de VLTs”, afirma o executivo.

Sobre as estimativas da companhia para este ano Boccaccio afirma que o atual cenário brasileiro exige um olhar atento aos desafios, por causa da desaceleração econômica que estamos vivendo. Por outro lado há também a necessidade de seguir investindo em infraestrutura e, por isso, acreditamos em grandes perspectivas para nossos setores de atuação. “Com a inauguração da nova unidade da Alstom, em Taubaté, já apostamos na mudança desse cenário, gerando novos empregos e abrindo novas possibilidades no Brasil e em toda América Latina”.

Boccaccio comenta que mais do que um modelo de transporte, o veículo leve sobre trilhos redesenha as cidades e oferece à população uma mobilidade sustentável, confortável e acessível. “Esse sistema já foi adotado por um grande número de cidades em todo o mundo nas últimas décadas. Sem dúvida, essa tendência está começando agora no Brasil e, por isso, a Alstom investiu em uma nova linha de produção, para acompanhar novos projetos de VLTs, não só para o Brasil, mas também para toda a América Latina, onde os projetos de VLTs estão a todo vapor”, declara o vice-presidente.

A Alstom já vendeu 1.900 unidades de VLTs do modelo Citadis para 49 cidades ao redor do mundo. Do total, 1.500 já estão em circulação e já transportaram mais de 6 bilhões de passageiros. No bairro da Lapa em São Paulo, a Alstom já produzia e fazia manutenção de trens de passageiros (metrô e subúrbio).

Projetos

Além dos VLTs, a Alstom tem outros projetos em andamento e recém-concluídos em seu setor de transporte, atuando com as principais operadoras de passageiros do país. Boccaccio afirma que recentemente a empresa forneceu dez novos trens para a SuperVia, no Rio de Janeiro, atingindo o recorde no tempo de produção do primeiro trem (apenas 13 meses). “Em Porto Alegre fornecemos 15 novos trens de metrô para a Trensurb. Além de outros projetos de modernização, sinalização e de infraestrutura. Esses pedidos são atendidos nas unidades da Alstom no estado de São Paulo”, diz o executivo.

O vice-presidente sênior da Alstom afirma que a unidade da Lapa, que é considerada centro de excelência mundial para fabricação em aço inoxidável, está trabalhando para o projeto da SBase, na Argentina, que contempla o fornecimento de 20 trens Metropolis para a linha H do metrô de Buenos Aires.

Segundo Boccaccio, a Alstom Transporte no Brasil tem uma tradição de exportação. Além do contrato na Argentina, tem o projeto Prasa, da África do Sul, que é considerado um dos maiores de mobilidade do mundo. “Na unidade da Alstom, na Lapa, estão sendo produzidos os primeiros 20 trens e essa unidade vai participar na construção de uma fábrica na África do Sul por meio da transferência da sua tecnologia de aço inoxidável. Além disso, 36 carros, ou nove trens, foram fabricados em São Paulo para o projeto de Chennai, na Índia. Como no caso da África do Sul, além da produção dos trens, foi feita transferência de tecnologia para a nova fábrica de Chennai na Índia”.

No ano fiscal de 2013/2014 a Alstom Transporte registrou vendas de 5,9 bilhões de euros e está presente em mais de 60 países, empregando 28.300 pessoas.

 

 

 

 

 

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