Frotas conectadas: colocando tecnologia nas rodas ou rodas na tecnologia?

Ricardo Altmann*

Recentemente o presidente do Itaú, Roberto Setúbal, declarou que nos últimos dois anos pensou mais em tecnologia do que nos 20 anos anteriores. Esta é uma realidade que se aplica, crescentemente, a todos os setores da economia. Uma combinação da maturação de novas tecnologias de cunho digital (móvel, social, na nuvem), acessíveis a custos cada vez menores, além de novas formas de desenvolver e escalar negócios (novos, como startups, ou mesmo consolidados), são os ingredientes centrais que potencializam inovações transformadoras.

Também é realidade para os segmentos ligados ao evento Frotas Conectadas (realizado anualmente em São Paulo, pela OTM Editora), na indústria automobilística, em logística e mobilidade. No ano passado o evento reuniu, em dois dias, 26 especialistas e um público qualificado de 250 participantes, estabelecendo diálogo e networking entre executivos de negócios tradicionais do segmento e também de empresas de tecnologia. Debateu-se a inovação e seus impactos efetivos nos negócios associados à gestão e conectividade de todos os tipos de frota.

São diversas evidências de mudanças já reais nesse tipo de negócio no país. A título de ilustração, vejamos os serviços de compartilhamento de veículos (ride sharing), onde o Uber, já presente em 34 cidades brasileiras, anunciou em janeiro de 2017 investimentos adicionais de R$ 200 milhões no país, além de estar diversificando seu negócio com o Uber Eats (que competirá diretamente com serviços como o iFood). Ou no caso da 99 (antiga 99 Taxis, presente em mais de 300 cidades), que mudou seu modelo de negócio e recebeu (novo e) relevante aporte financeiro, de US$ 100 milhões, da chinesa Didi Chuxing. Esses negócios impactam diversos segmentos correlatos, como os transportes urbanos, locadoras de veículos, montadoras, seguradoras, estacionamentos etc. E é algo que tende a ser ampliado no futuro com a introdução de novas tecnologias, em especial o veículo autônomo, que vão baratear, e ampliar, esse tipo de serviço.

Com efeito a principal razão para crescentes investimentos em inovações nessas áreas é a perspectiva de se apropriar de valor em segmentos ligados a grandes mercados potenciais. Para citar um exemplo, a consultoria McKinsey indicou que a receita do setor automotivo se diversificará atingindo USD 1,5 trilhão apenas em novos serviços até 2030. Com serviços de compartilhamento de veículos, de conectividade de dados, aplicativos, navegação, entretenimento, serviços remotos e atualizações de software, etc.

No contexto de buscar novas formas de inovar e se aproximar do mundo digital, um fenômeno crescente são iniciativas de aproximação e investimentos junto a startups, tema discutido no último Frotas Conectadas. Nessa área, para citar dois exemplos, em 2016 começou a operar a aceleradora Start Up Autobahn do grupo Daimler, na Alemanha. E neste ano está sendo lançada uma iniciativa de aceleradora corporativa de startups na área no Brasil, a Liga Autotech.

A edição deste ano do Frotas Conectadas será realizada nos dias 17 e 18 de maio no espaço da Oxigênio (aceleradora da Porto Seguro) e com o mote que é o título deste artigo: “colocando tecnologia nas rodas ou rodas na tecnologia?”. Mote este que remete ao ponto do início do texto: se antes as tecnologias de informação e digitais eram suporte aos negócios, atualmente são competências essenciais, transformadora dos mesmos. A dinâmica competitiva exige o desenvolvimento de novas competências, normalmente associadas às tecnologias digitais. Pensar em como lidar e monetizar informações, ampliar ofertas de serviços, lidar com novos stakeholders, etc. Em resumo, novas formas de inovar no modelo de negócios! O evento Frotas Conectadas se estabelece como fórum para esta reflexão.

 

*Ricardo Altmann é sócio da Lunica Consultoria (ricardo@lunica.com.br) e curador técnico do evento Frotas Conectadas

 

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