Expansão dos sistemas de BRT ativará o mercado de ônibus e trará a geração de milhares de empregos diretos

Alternativa de transporte troncal sobre pneus, criado para dar maior agilidade e capacidade de carregamento ao transporte público e melhorar a mobilidade urbana, o BRT (Transporte Rápido por Ônibus) avança mais lentamente do que o esperado no Brasil.

Em algumas cidades, projetos de BRT desenhados para recepcionar a Copa do Mundo em 2014 ainda têm obras inacabadas, atrapalhando a organização do tráfego, e também empreendimentos parcialmente entregues e sem integração com outros sistemas de transporte público, deixando de atender de forma plena os usuários. O vandalismo afeta alguns sistemas, causando prejuízos e exigindo ações adicionais de segurança.

Ritmo da expansão

Sistemas de BRT trazem vantagens para a mobilidade nos municípios, nos aglomerados urbanos e em regiões metropolitanas, pela capacidade de ampliar e organizar a oferta de transporte, sobretudo nos vetores mais carregados. Marcos Bicalho dos Santos, diretor administrativo e institucional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), recorda que a ideia do BRT surgiu no Brasil ainda nos anos 1970, mas ganhou notoriedade internacional no ano 2000, quando foi inaugurado o Transmilênio, na cidade de Bogotá, capital da Colômbia.

Ele diz que os projetos mais recentes implantados no país estão podendo se beneficiar de modernas tecnologias.  “O primeiro BRT de Curitiba não tinha GPS e nem comunicação. Hoje, há estas e outras ferramentas avançadas para prestar um serviço de alta qualidade. ”

O dirigente informa que, nos últimos anos, o Brasil planejou implantar 107 corredores de BRT, totalizando 1.804,7 quilômetros de extensão. Hoje, ao todo, 24 corredores estão em operação em 15 cidades de oito estados e no distrito Federal, totalizando 409,6 quilômetros de extensão, o que representa pouco menos de 23% da extensão total pretendida. Os sistemas a que essas linhas pertencem contam com cerca de 1.700 ônibus, sobretudo veículos biarticulados, articulados e padron.

Dos 83 outros corredores de BRT a serem implantados, 23 estão em obras e 60 ainda em fase de desenvolvimento de projeto. Quando tudo estiver pronto, o conjunto de corredores atenderá a 34 cidades, localizadas em 20 estados.

De todo modo, os projetos ainda não concretizados terão de vencer as adversidades causadas pela crise, num quadro em que o governo federal e a maioria dos governos estaduais não têm condições de investir recursos do Tesouro e muitos municípios exauriram sua capacidade de endividamento.

Empregos

Considerando a necessidade de recuperação da economia, não seria nada mau se os projetos de BRT já planejados de fato se concretizassem: haveria ganhos para a mobilidade nas cidades e também uma oferta adicional de empregos. Tomando como base os sistemas já em operação, numa conta rápida, é possível afirmar que a implantação e o início de operação de todos os outros novos sistemas pretendidos resultariam na encomenda de um considerável número de novos ônibus – duplicando ou talvez triplicando a frota que hoje roda nos sistemas já ativos.

E, levando em conta que cada novo ônibus exige mais profissionais para os veículos – motoristas e pessoal de manutenção – e, no caso dos sistemas de BRT, também para a operação dos corredores, compondo as equipes das estações de parada, terminais e centros de controle, haveria a abertura de novos empregos diretos permanentes. É sempre importante sublinhar que o conjunto dos sistemas de transporte público por ônibus está entre os maiores empregadores do país.

Avanços e Desafios

Transporte Moderno Online apresenta um levantamento dos avanços, perspectivas e desafios vividos por sistemas de BRT já em operação ou em reta final de implantação em capitais e regiões metropolitanas do país, elaborado pelo Anuário do Ônibus e da Mobilidade Urbana. Confira aqui o cenário em nove grandes centros urbanos brasileiros, a saber – Curitiba, Rio de Janeiro, Recife,  Belo Horizonte, São Paulo, Florianópolis, Belém, Fortaleza, Brasília.

 

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