Mercado de caminhões enfrenta momentos difíceis

A turbulência política continua refletindo negativamente no desempenho da  indústria  automobilística. Mesmo com a economia apresentando sinais de estabilidade o mercado de caminhões ainda enfrenta momentos difíceis, com ociosidade de quase 80% nas fábricas e uma queda de  19,4% nas  vendas  acumuladas  de  janeiro  a maio. No período foram comercializados 17.239 veículos, ante 21.388 unidades vendidas nos cinco primeiros meses de 2016.

“Quando se compara a média dos últimos dez anos com o período acumulado de janeiro a maio a situação do setor ainda é bastante dramática”, afirma Antonio Megale, presidente da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A média de vendas de caminhões era de 47.400 unidades, o que representa uma retração de 63,6% em relação aos 17.239 veículos licencia dos nos cinco meses desde ano.

No mês de maio o mercado de caminhões alcançou um desempenho positivo na comparação com abril (que teve menos dias úteis) e cresceu 18,3% com a venda de 4.105 veículos, ante  3.469 no mês anterior. Mas no ano o resultado ainda está abaixo das expectativas.

Luiz Carlos Gomes de Moraes, vice-presidente da Anfavea, avalia que o vigoroso crescimento do mercado de caminhões em maio quando comparado a abril é um reflexo das vendas ocorridas há 60 dias, o que indica uma melhora no ambiente comercial com alguns transportadores querendo fazer negócios em nichos específicos.

“O ano começou com uma queda de 33%, este índice foi reduzindo e agora está em 19%, mas ainda é baixo o mercado de caminhões. Temos observado que a inflação está sob controle, os juros caindo, e isso ajuda o setor. O PIB, que é importante para este setor continuar crescendo, parou de cair”, destaca Moraes.

O vice-presidente da Anfavea defende que as reformas trabalhistas e da previdência são importantes para o investidor voltar a ter maior confiança para investir em caminhões e ônibus, da mesma forma como é relevante os investimentos em infraestrutura. “Entendemos que o Brasil tem pressa, o setor não pode esperar mais e acreditamos que Brasília perceba isso o mais rápido possível”, diz Moraes.

Exportação – Nas exportações, embora os embarques de caminhões em maio tenham ficado 3,7% abaixo de abril, com 2.377 unidades, no acumulado de janeiro a maio o crescimento foi de 39,6% com 10.690 veículos vendidos no exterior, ante 7.658 unidades comercializadas no mesmo período de 2016. “Mesmo com crescimento das exportações que tem um reflexo positivo na produção, o nível de ociosidade da indústria de caminhões está próximo de 80%. Isso mostra que, apesar de as vendas externas estarem indo bem, são insuficientes para compensar a fragilidade do merca- do interno”, analisa Megale.

Em valores, as exportações de janeiro a maio da indústria automobilística (incluindo autoveículos e máquinas agrícolas) superaram a média dos últimos dez anos (que é de US$ 5,1 bilhões) com o total de US$ 6,04 bilhões (foram US$ 5,04 bilhões de autoveículos e US$ 990 milhões de máquinas agrícolas), o que representou um crescimento de 52,7% em relação ao mesmo período de 2016, cujo valor acumulado foi de US$ 3,9 bilhões. “Esse é um dado positivo, porque maio foi o melhor mês desde outubro de 2011, em valor exportado, o que tem contribuído para o resultado da balança comercial brasileira. ”

Produção – Em maio a indústria de caminhões teve um mês forte de produção, com 7.576 veículos fabricados, um aumento de 28,4% sobre as 5.900 unidades fabricadas em abril. No acumulado de janeiro a maio o volume produzido foi de 29.224 veículos, alta de 13,9% sobre os cinco meses de 2016.

O maior aumento na produção foi de caminhões pesados, cujo volume passou de 8.876 unidades de janeiro a maio de 2016 para 10.721 unidades este ano, um avanço de 20,8%. Os semipesados tiveram um avanço de 27,9% na produção, de 7.265 unidades para 9.295 unidades no período. A quantidade de caminhões médios fabricados aumentou 36,4%, de 1.733 unidades para 2.363 unidades. Esse aumento da produção, segundo Megale, foi puxado pelas exportações.

Em maio o nível de emprego da indústria automobilística manteve-se estável, com pequeno avanço de 0,4%, passando de 120.927 para 121.405 empregados. “É uma variação normal das empresas e ao mesmo tempo mostra que não está caindo, mas ainda preocupa, pois temos 14 milhões de pessoas desempregadas no país”, destaca Megale, apostando que a retomada mais forte da atividade econômica deverá reverter esse quadro.

A situação dos empregados na indústria automobilística também está estável, com 2.718 funcionários na condição de lay off e 7.609 empregados amparados pelo programa de seguro ao emprego (PSE). “Mesmo com estabilidade o nível de emprego em maio ficou 5,1% abaixo do ano passado, voltando ao nível de 2009”, compara Megale.

Sobre a previsão para o ano o presidente da Anfavea afirma que o setor está no caminho certo e de acordo com o previsto, com estabilidade no primeiro semestre e o crescimento no segundo semestre está se concretizando. “Foi projetado um mercado total 4% acima do ano anterior e estamos 1,6% acima do ano anterior”, afirma Megale. Para o segmento de veículos pesados (incluindo caminhões e ônibus), a Anfavea mantém a projeção de aumento de 26,1% na produção, passado de 79,3 mil veículos para 100 mil unidades neste ano. As vendas devem crescer 6,4%, de 61,7 mil unidades para 65,6 mil unidades. E as exportações de veículos pesados avançarão 10%, de 31,2 mil unidades para 34,4 mil unidades. “Estamos aguardando a solução para a questão política no Brasil, que ainda está bastante instável, para decidir se haverá mudanças na previsão para o setor automotivo no ano”, destaca Megale. “Temos um viés positivo para as exportações e produção em geral e uma preocupação na projeção de vendas de caminhões que ainda não atingiu o nível esperado.”

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