Scania destaca dois ônibus para operação urbana

A Scania Latin America expôs na Transpúblico dois ônibus para o segmento urbano, o biarticulado de 28 metros de comprimento e o primeiro modelo movido a GNV ou biometano do mercado nacional.

O modelo com combustível alternativo é a grande inovação no país para o mercado urbano. Este veículo emite 85% menos gases poluentes se abastecido com biometano, e 70% menos se estiver movido com GNV, na comparação com os ônibus similares a diesel. “A empresa entende que esta tecnologia seja a solução mais viável para a realidade brasileira. Economicamente e do ponto de vista ambiental é a solução com resultados melhores e mais rápidos”, afirma Silvio Munhoz , diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil.

O ônibus biarticulado F 360 8×2, que chegou ao mercado em 2015, mede 28 metros e tem capacidade para 270 passageiros. O modelo F 360 HA, de piso normal, tem motor frontal de 360 cv de grande porte (mas de baixa rotação) e desenvolve torque de 1.850 Nm (o maior da categoria) já em baixas rotações para economizar combustível. A versão F 360 HA está equipada com caixa automática e suspensão a ar com quatro bolsões nos eixos traseiros.

Para o transporte público, a Scania oferece soluções de produtos e serviços com um amplo portfólio de produtos, que atende de forma customizada às necessidades dos clientes de ônibus que atuam em linhas urbanas com veículos padron, articulados e biarticulados.

Os chassis da marca são disponibilizados em muitas, além de configurações ideais para corredores exclusivos, como o sistema BRT e sistema BRS. São modelos de 12,5 até 28 metros de comprimento, com capacidade para transporte de 86 a 270 passageiros. A linha é dividida pelas Séries K (com motor traseiro) e F (com motor dianteiro). Os chassis são oferecidos nas motorizações de 9 e 13 litros com 250 cv, 310 cv, 360 cv, 400 cv e 440 cv de potência.

Na avaliação de Munhoz a reversão do cenário político e econômico nacional traz uma perspectiva de mudança da tendência de queda do mercado de ônibus, além da possibilidade, ainda que pequena, de aumento de vendas. “Por enquanto, há apenas movimentações de renovação de frotas envelhecidas, que tem alto custo de manutenção”, avalia Munhoz.

Apesar de um início de ano com vendas fracas, o diretor da Scania já consegue visualizar algum sinal de recuperação do mercado de ônibus.

O ônibus K280 movido a biometano/GNV emite até 85% a menos de gases poluentes

“Acreditamos que o fim deste ano poderá ser menos amargo do que foi o de 2016”, declara Munhoz. Ele informa que os movimentos de compras estão mais lentos do se esperava para este ano. “Passados três anos sem renovação significativa os grandes frotistas já buscam a compra de novos ônibus. Para este ano, as expectativas são boas, mas ainda mantemos a cautela quanto a projeções. As novas regras do Finame não causaram nenhum impacto positivo”, comenta Munhoz.

O diretor da Scania afirma que está acompanhando de perto o Refrota, programa criado no final do ano passado para financiar ônibus urbanos. “Qualquer programa que incentive a renovação de frota desde que seja bom para o operador, para a indústria e para o passageiro, é bem-vindo. Esperamos que os avanços sejam mais rápidos do que os vistos até agora”, diz.

Para o mercado de urbanos as projeções de Munhoz são positivas. “Os novos prefeitos que assumiram estão redefinindo sistemas e sofrendo grande pressão pelo não aumento de tarifa. O que tem tornado muitas operações inviáveis economicamente, resultando em quebra de algumas operadoras. A consequência é a não renovação das frotas, como esperávamos. Muitas obras de ampliação de corredores BRT e malha urbana estão paradas. Se forem concluídas haverá uma grande melhoria.”

RODOVIÁRIO – Para a Scania, o segmento rodoviário é que traz melhores expectativas de crescimento. “Esse mercado irá gradativamente aumentar o volume de vendas e a melhora contínua tem a ver com a recuperação da economia, que também será constante, mas com ritmo lento”, prevê o diretor.

Para Munhoz, o principal motivador está nos ônibus para as linhas interestaduais, pois a nova regulamentação da ANTT publicada no ano passado impõe uma modernização da frota mais acelerada que o esperado, e representa um investimento muito grande, mas que dependerá da recuperação da economia brasileira. “Além de o operador necessitar de motivação para investir, precisará de disponibilidade de financiamento”, antecipa.

O diretor da Scania afirma que o ônibus rodoviário de médias e longas distâncias demonstra oferecer mais oxigênio para a empresa. “Em 2016, foi nesta faixa que aumentamos nossa participação, pois os produtos são reconhecidos pela economia de combustível e o melhor custo por quilômetro rodado. Além disso, a oferta de serviços, com os programas de manutenção também concedem uma vantagem muito competitiva”, afirma.

Com o sistema global de produção implantado na década de 90, que garante a oferta dos mesmos produtos em qualquer parte do mundo, a Scania conseguiu compensar a queda da demanda do mercado interno com as vendas ao exterior.

Atualmente cerca de 30 países da América Latina, Oriente Médio, África e Ásia são supridos a partir da sua fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Entre os principais mercados se destacam o México e a Argentina no segmento de ônibus. Antes de 2015, o mercado brasileiro representava 70% da produção e 30% eram destinados para exportação. Essa proporção foi invertida.

O que permitiu a Scania direcionar rapidamente a sua produção ao mercado externo foi o investimento em melhorias contínuas para a manutenção do parque industrial e garantir o fornecimento do mesmo produto em todo o mundo.

Em 2016 a Scania exportou cerca de 70% de sua produção, incluindo caminhões e ônibus, o que equivale a 10.121 unidades.

No Brasil a Scania vem se destacando no segmento rodoviário ao realizar de novembro de 2016 a julho deste ano a venda de cerca de 200 unidades do modelo K 440 8×2, que permite utilizar modelos de quatro eixos (tração 8×2), dois andares (DD) e 15 metros de comprimento.

Deste total, 93 unidades foram para o Grupo JCA. A Auto Viação Progresso, de Pernambuco, adquiriu 15 veículos e o restante foi comprado por clientes pequenos e médios do varejo, em negócios pulverizados por todo o país, sendo que a venda do primeiro ônibus rodoviário de 15 metros foi feita para a Gian Carlo Tur do Rio Grande do Sul, que atua no fretamento e no turismo eventual.

Segundo Munhoz, a solução 8×2 de 15 metros também vem puxando uma tendência. A logística de transporte e a nova regulamentação das linhas interestaduais estão levando os empresários rodoviários a escolher modelos mais rentáveis. Estão migrando da tração 6×2 para a 4×2 (de 14 m e 50 lugares) e da 6×2 para o próprio 8×2.

 

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