Caminhões pesados puxam o desempenho da indústria

A indústria de caminhões segue em direção à estabilidade. Apesar de no acumulado de janeiro a setembro as vendas terem apresentado uma retração de 9%, em comparação aos nove meses de 2016, com o emplacamento de 35.364 veículos, a Anfavea (entidade que representa as montadoras) considera o resultado favorável, uma vez que o setor vem desde maio apresentando uma sequência positiva de vendas, revertendo a retração de 35% registrada no início deste ano.

“Os indicadores mostram um cenário positivo para o mercado de caminhões e até o final do ano o setor deve apresentar uma movimentação positiva em todos os segmentos, pois alguns setores industriais estão com grande demanda”, afirma Rogério Rezende, vice-presidente da Anfavea e diretor de assuntos institucionais e governamentais da Scania Latin America.

Rezende recorda que o segmento agrícola comprou muito em 2013 e 2014, depois teve um arrefecimento nas compras e este ano sustentou novamente o caminhão rodoviário pesado. Até setembro as vendas de caminhões pesados aumentaram 5,8%, com 12.545 unidades emplacadas, ante 11.856 unidades vendidas nos nove meses de 2016.

A melhora na venda de caminhões pesados, segundo Rezende, é porque este setor está respondendo a uma demanda reprimida que há no mercado brasileiro e uma demanda pontual no setor de mineração. “A área de mineração em algumas regiões do país, especificamente em Minas Gerais, também acabaram comprando um pouco mais”, conta o executivo.

Ao mostrar a importância que o mercado de caminhão tem para a economia do país, Rezende argumenta que ninguém compra um caminhão porque o veículo tem um banco de couro bem costurado, uma cor bonita e um farol de xenon, mas porque está vendo uma possibilidade de, quando houver uma retomada, ele estar preparado. “Faz um tempo que o segmento de caminhões pesados vem ganhando espaço no mercado, puxado não somente pelo setor agrícola, mas também pelas commodities”, destaca o vice-presidente da Anfavea.

Rezende conta que a Abimaq (associação dos fabricantes de máquinas) está com um movimento crescente. “Isso significa que os bens industriais vão demandar também transporte”, aponta o vice-presidente da Anfavea. “Outro setor que está em crescimento é o de embalagem, que também vai demandar caminhão para transportar produtos.”

Rezende lembra que o segmento de caminhões pesados que há pouco tempo inexistia, agora está ocupando espaço no mercado brasileiro. “Se o mercado de caminhões começa ter um reaquecimento nas vendas é porque a economia está de fato melhorando”, enfatiza.

Nas exportações o caminhão pesado também vem apresentando um bom desempenho ao registrar um crescimento de 23,8% nos embarques de janeiro a setembro, com 7.464 unidades comercializadas no mercado internacional, ante 6.028 unidades exportadas no mesmo período de 2016, segundo a Anfavea. “Na Scania as exportações de modelos pesados estão indo muito bem”, afirma Rezende.

Incluindo todas as categorias as exportações de caminhões atingiram 21.490 unidades até setembro, volume 40,9% superior aos 15.257 veículos exportados no mesmo período de 2016. A liderança nas exportações foi dos modelos semipesados, que tiveram um aumento de 89,6% no acumulado de janeiro a setembro, com 7.957 veículos comercializados no exterior.

Com esse bom movimento no mercado brasileiro e no exterior, a produção registrou um aumento de 27,3% nos nove meses deste ano, totalizando 59.044 unidades, ante 46.383 veículos produzidos no mesmo período de 2016.

A maior alta na produção foi dos modelos pesados, com 22.647 unidades, 41% a mais que nos nove meses de 2016, que totalizou 16.065 unidades. Os semipesados também responderam à demanda do mercado com aumento de 33,9% e 17.654 veículos produzidos, sobre 13.185 unidades que saíram da linha de montagem de janeiro a setembro de 2016.

Rogélio Golfarb, vice-presidente da Anfavea, afirma que é grande a expectativa das montadoras com a Fenatran, a maior feira do setor de caminhões. “Além dos novos modelos de caminhões, novas soluções de conectividade, as empresas apresentam o avanço da Indústria 4.0”, destaca Golfarb.

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