Vitória aposta na tecnologia

Pioneiro na implementação do VTMIS, o complexo portuário da capital capixaba
investe em ações para melhorar sua infraestrutura

O porto de Vitória é o primeiro porto público no país a operar com o VTMIS (sigla em inglês para Vessel Traffic Management

Information System ou sistema de controle de tráfego marítimo), composto por um grupo de equipamentos que fornece informações de segurança, condições meteorológicas, além de monitorar e controlar a área de fundeio, canal de acesso, bacia de manobra e terminais portuários. O VTMIS está integrado ao Portolog, um sistema da Informação que permite o gerenciamento do tráfego de caminhões que acessam o porto, coletando informações desde a origem da

carga até seu terminal portuário de destino. O sistema também integra o Porto sem Papel, iniciativa que busca reunir em um único meio de gestão as informações e a documentação necessárias para a liberação das mercadorias nos portos brasileiros.

O diretor de infraestrutura e operações da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Guilherme Magalhães, explica que o porto de Vitória tem buscado se modernizar, com investimentos em tecnologia e segurança. “Foram investidos R$ 27 milhões para a implantação do VTMIS, um sistema que torna as operações muito mais seguras. Mais 23 milhões de recursos

federais foram empenhados para que o porto integrasse a cadeia logística inteligente.

Para isso equipamos as portarias com CFTV, balanças de alta precisão, identificação por radiofrequência (Rfid)”, informa.

O porto apresentou crescimento de 7% em volume de carga no ano passado e incremento de 9% em receita, no mesmo

período, em comparação ao ano anterior.

“Nosso objetivo é reduzir as despesas em 25% e equilibrar as contas do empreendimento. Vitória está se tornando cada vez

mais produtivo”, diz Magalhães. Hoje, sete milhões de toneladas passam pelo porto por ano. “Até 2020, serão 9,1 milhões”, acredita. Uma iniciativa importante foi a dragagem, que, a partir de julho, permitirá ao porto receber navios com até 70 mil toneladas de carga, que antes era limitado a embarcações com 35 mil toneladas.

Com a conclusão da dragagem, já foram fechadas linhas diretas com a Ásia, Europa e Estados Unidos. “Estamos trabalhando para melhorar a infraestrutura para que o porto volte a ser competitivo”, diz Magalhães. Até final de 2018, a Codesa espera terminar o processo de concessão do terminal portuário Barra do Riacho, em Aracruz, a 80 quilômetros de Vitória. “O porto da Barra produz oito milhões de toneladas por ano e deve dobrar esse volume até 2015, com investimentos previstos de R$ 2 bilhões.

Além da celulose, o terminal irá operar soja, granéis químicos e contêineres”, informa.

O arrendamento do cais de Capuaba irá ampliar o porto de Vitória. “O arrendamento dessas grandes áreas ociosas será importante para dar mais competitividade ao complexo portuário”, afirma.

 

MONITORAMENTO

O primeiro balanço do VTMIS divulgado este ano pelo sistema de controle de tráfico marítimo é positivo: de janeiro a março,

circularam na área de cobertura do sistema, 560 embarcações e nenhum acidente foi notificado. O relatório da coordenação de

gestão do sistema registra mais de 30 mil ações de controle de tráfego pelo centro de controle operacional. O VTMIS começou

a funcionar em setembro de 2017. Se considerarmos o início do serviço até o final de março de 2018, o sistema monitorou

cerca de 1,2 mil embarcações na área de responsabilidade no porto de Vitória, e apenas 0,03% deste total não cumpriu os

procedimentos para os navegantes.

De janeiro a março de 2018, o VTMIS prestou assistência aos navios, evitando acidentes marítimos; acionou os órgãos responsáveis por auxílio; transmitiu informações de tráfego aos comandantes para controle de situações e atendeu pedidos de socorro às embarcações próximas dos fatos ocorridos. O sistema registrou e pediu auxílio para casos de falhas nos motores de barcos de pesca e de uma embarcação maior.

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