Bombril economiza R$ 15 milhões em um ano no custo do frete

Fabricante diminuiu o custo de transporte e também simplificou as operações ao adotar a primarização, em uma parceria com a Agrega

 

A Bombril tem realizado mudanças em sua estratégia de transporte com objetivo de superar os grandes desafios logísticos enfrentados pelas indústrias de consumo que atendem varejistas no Brasil. Para reduzir custos e melhorar a qualidade do serviço, a companhia aposta na parceria com a Agrega, adotando um novo formato em suas operações. “A primarização é radicalmente diferente da terceirização.

Como dizem, é um modelo “disruptivo”. Na terceirização, o embarcador realiza “bids” periódicos, em um prazo de um a dois anos, definindo o preço com as transportadoras selecionadas durante este período”, explica Jarlon Nogueira, diretor da Agrega.

No modelo primarizado, o embarcador acessa o mercado de autônomos por meio da sua própria transportadora, com preços até 30% menores. “A Agrega realiza a gestão, desde a contração até o gerenciamento operacional e financeiro, garantindo nível de serviço com a utilização de tecnologia e constante inovação operacional”, diz Nogueira.

Para distribuir seus produtos até agosto de 2016, a Bombril realizava a operação logística da maneira tradicional, contratando diversas transportadoras, terceirizando o transporte de seus produtos.

Com esse projeto de desintermediação do transporte, a empresa conseguiu, em 12 meses, uma economia de R$ 15 milhões no custo do frete.

O controle das operações logísticas se tornou mais simples. “Transporte é uma área crítica, não apenas por ser determinante para boa operação e atendimento, mas por representar custo significativo.

Nossa contratação de transporte era feita num modelo tradicional de ‘bids’ e mantínhamos mais de 30 transportadoras. Hoje, destinamos à primarização cerca de 80% do volume de lotação, o que representa a expedição diária de 150 caminhões, sendo alinhado com apenas uma transportadora e diminuindo a complexidade”, afirma o diretor de Supply Chain da Bombril, Luis Guilherme Paschoal Andrade.

A Bombril possui três fábricas no país: em São Bernardo do Campo, São Paulo; em Sete Lagoas, Minas Gerais, e em Abreu e Lima, Pernambuco, atendendo mais de três mil clientes e contando com 2,5 mil funcionários. A Agrega é encarregada pelo transporte primarizado da companhia, para servir às três plantas fabris. “Na Bombril conseguimos uma boa redução nos custos de transporte, mantendo bom nível de serviço e cobertura. E fizemos outras inovações, como disponibilizar aos caminhoneiros a nossa plataforma digital de contratação e gestão de entrega”, revela Nogueira.

O novo modelo traz ganhos e vantagens em diversas áreas. ”Além de economia na conta de frete, observa-se um maior controle operacional, proporcionado pela torre de controle, o que traz redução em outros custos como descargas, estadias, devoluções, redespachos, e benefícios no controle porta a porta dos veículos”, diz Nogueira.

Uma grande partes das cargas da companhia estão concentradas na BBLOG, a transportadora própria da Bombril. “Outras transportadoras são utilizadas para cargas microfracionadas, com várias entregas de pequeno volume, que necessitam de consolidação em outros armazéns”, informa.

A BBLOG transporta quase 90% de todo o volume de produtos da Bombril, ou seja, 40 mil toneladas por mês, o que corresponde a seis mil carregamentos mensais.

“Mesmo utilizando autônomos e pequenas e médias transportadoras, consegue-se atingir maior controle operacional e, consequentemente, um aumento do nível de serviço aos clientes finais. Isso ocorre pela gestão integrada das operações e da torre de controle, que funciona 24 horas por dia na Agrega, e que tem a missão de tratar as ocorrências e desvios operacionais, antecipando-se a problemas e atuando em tempo real”, conta Nogueira.

 

DIGITALIZAÇÃO

Outra inovação na Bombril, implementado em parceria com a Agrega, foi o desenvolvimento de uma plataforma digital, que funciona como um sistema de ofertas de fretes e contratação via mobile, com gestão completa de entregas e ocorrências de viagens, gerando ações em tempo real, relatórios e indicadores que auxiliam a empresa a diminuir custos e aumentar a eficiência.

“Disponibilizamos em março um aplicativo para os caminhoneiros e esperamos ter 100 mil cadastros no primeiro ano. Esta é mais uma ferramenta para que esses profissionais não fiquem sem frete, por exemplo”, relata.

A plataforma digital já representa 20% do volume movimentado. A Agrega recebe a programação de cargas da Bombril e passa para a plataforma, fazendo uma análise de tendências de preços e disponibilidade. “Os motoristas automaticamente recebem no aplicativo Agrega Truck as ofertas, como oferta direta ou leilão reverso, e com isso têm a visibilidade das cargas disponíveis e, caso tenham disponibilidade e aprovem o valor do frete, fecham automaticamente pelo próprio aplicativo”, explica Nogueira.

Todo o fluxo operacional é feito pelo motorista no aplicativo, desde o check in na carga, até a descarga, quando ele envia eletronicamente os comprovantes de entrega.

Qualquer problema que vier a ocorrer durante o transporte das mercadorias, pode ser comunicado pelo motorista por meio do aplicativo, que aciona a torre de controle.

“A diferença da Agrega é que, mesmo se não fechar o frete pelo aplicativo de forma online, a modalidade offline entra em ação, com o time de contratação da empresa, para atendimento do compromisso”, informa Nogueira.

“A base de motoristas cadastrados no aplicativo supera os 40 mil motoristas, de um universo de mais de um milhão de condutores no país. O objetivo da Agrega é trabalhar com um público fiel de motoristas autônomos e que tenham a visão de compromisso de serviço com os nossos clientes”, completa.

Para a criação da plataforma digital da Agrega Tech, a empresa conta com a experiência em projetos digitais de João Moretti, um dos primeiros especialistas do mercado mobile do Brasil e agora sócio e CIO da Agrega Tech. “Estamos criando um conceito de estrada digital. Isso ajudará empresas e profissionais do transporte a melhorarem sua produtividade e qualidade de serviços”, afirma. Já o diretor de Supply Chain da Bombril espera ampliar o serviço da Agrega, incluindo o transporte fracionado e o inbound. “Estamos estudando a ideia de ampliar isso, reduzir ainda mais os custos e melhorar os níveis de serviço”, diz

A Agrega possui mais de dez anos de mercado e foi criada para oferecer serviços de primarização para grandes empresas de diferentes segmentos de indústria e comércio, reduzindo custos de transporte e garantindo alto nível de serviço. Recentemente, tem investido em plataformas tecnológicas mobile para eliminar intermediários no processo, unindo tecnologia e gestão de transporte. A proposta é oferecer mais transparência aos embarcadores, montando, administrando e operando estruturas dedicadas de transporte, contratando diretamente os autônomos e as pequenas transportadoras. “A Bombril fechou a parceria com a Agrega em agosto de 2016 e hoje o volume da carga outbound representa mais de 90%. Já começamos a estudar outras possibilidades de redução de custos nas cargas inbound, mas isso depende de negociações com os fornecedores de insumos, e que estão em curso”, afirma Nogueira.

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