MRS coloca em operação o maior trem de contêineres da sua história

Com esta composição de 703 metros, a empresa atendeu ao pedido de quatro empresas levando de Sepetiba (RJ) até Contagem (MG) produtos siderúrgicos e industrializados provenientes da China

A MRS colocou em operação o maior trem de contêineres da sua história na rota Rio de Janeiro-Belo Horizonte. Nesta operação

a empresa contou com uma composição de 703 metros de extensão, com 41 vagões, que levaram 110 contêineres de 20 pés do terminal de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, até o terminal de Tora, em Contagem, Minas Gerais, eliminando o equivalente ao que seria transportado por 110 caminhões.

Segundo a MRS, o transporte em contêineres faz parte da cadeia logística de exportação de variados produtos industrializados e insumos e conta com a participação de diversos clientes, principalmente, da região metropolitana de Belo Horizonte. Mas nessa operação com o trem expresso a companhia atendeu ao pedido de quatro empresas e os produtos mais representativos foram siderúrgicos (fio-máquina, ligas metálicas) e industrializados importados (utensílios de cozinha produzidos na China).

Segundo a MRS, uma série de melhorias no processo de carregamento dos trens reduziu significativamente o tempo total gasto no transporte da carga, o que tem atraído, cada vez mais, clientes para a ferrovia, principalmente aqueles que transportam sua carga dentro de contêineres.

“O trem expresso carregando contêineres parte do Tecon de Sepetiba às 22h30 e chega ao terminal de Belo Horizonte (do parceiro Tora Logística) às 18 horas do dia seguinte, numa operação sem paradas, o que dá uma redução de mais de 40 horas no que seria esperado para esse trecho por trem. Além da previsibilidade (horário de partida e chegada), estamos oferecendo lead time cada vez menor aos clientes”, afirma Rodrigo Carneiro, gerente comercial de pós-venda da MRS. “Conseguimos reduzir em 48 horas o tempo gasto para o transporte de contêineres na rota Rio de Janeiro-Belo Horizonte. Hoje levamos dois dias para transportar a carga da sua origem até o destino final.”

Esta é uma composição que ganhou o nome de trem expresso. “Isto significa que é dedicado, exclusivamente, a cargas conteinerizadas, sem paradas intermediárias e tem horários de partida e chegada pre-definidos, conferindo previsibilidade garantida para o cliente”, explica o gerente.

“Começamos a operar com este modelo na rota Rio de Janeiro-Belo Horizonte em julho e já estamos rodando, há quase dois meses, com um trem por semana. Temos percebido um crescimento significativo e, possivelmente, em breve, teremos que aumentar a quantidade de trens”, revela Gustavo Guimarães, analista comercial que acompanha o dia a dia da operação junto aos clientes.

“Quem opera pela rodovia pode até considerar que este seja um transit time longo, mas imagine que mais de 110 contêineres estão sendo transportados em apenas uma operação e por um único fornecedor. São 110 caminhões a menos nas estradas. Tudo isso com muito mais segurança operacional da carga e a um custo inferior. Não é à toa que registramos um crescimento de 65% no transporte de contêineres nos últimos três anos”, enfatiza Carneiro. De 51 mil TEU (sigla para Twenty Foot Equivalent Unit, ou Unidade Equivalente de Transporte) em 2014 o volume aumentou para 84 mil em 2017, com avanço médio anual de aproximadamente 14%.

De acordo com o gerente da MRS, dentro da estratégia para alavancar o transporte em contêineres, a MRS realizou diversas melhorias operacionais recentes que permitiram não só a montagem de composições maiores, como também o transit time bastante reduzido.

“A grande vantagem do trem expresso de contêineres é que o cliente pode levar até mesmo um único contêiner. Ou seja, mesmo que fossem 110 clientes diferentes, o trem sairia da mesma forma e em horários definidos. A ideia desse serviço é unificar várias demandas e torná-las uma só, aumentando a eficiência da operação e gerando um custo mais baixo para os usuários”, acrescenta o gerente comercial Carneiro.

Para a produção de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, a MRS opera num patamar próximo a cinco mil TEU por mês, bem acima do registrado no ano anterior. “A fidelização dos clientes leva a isso, além da expansão da carteira. Na rota Rio de Janeiro-Belo Horizonte, registramos um crescimento de 112% no primeiro semestre do ano, com relação ao mesmo período do ano passado”, diz o executivo da MRS.

 

ROTAS REGULARES

A malha da MRS integra os três principais centros econômicos do país e possui rotas regulares estabelecidas em eixos como Rio-Belo Horizonte e Rio-São Paulo.

“Temos três grandes corredores no Estado de São Paulo, nos quais operamos trens expressos: Santos-Campinas, Santos-São Paulo e Santos-Vale do Paraíba. Todos com grades fixas atendendo terminais nas duas margens do porto de Santos para operações de exportação, importação e cabotagem”, relata Carneiro. “Além disso, é possível o desenvolvimento de soluções integradas para clientes de outras regiões. A chave para isso é a multimodalidade. Temos clientes no noroeste de Minas Gerais que se valem de soluções rodoviárias-ferroviárias e até mesmo de fluxos com origem nas regiões norte e nordeste, graças à integração de nossos trens com a navegação de cabotagem.”

Segundo Carneiro, os investimentos que a MRS realiza em sua malha são destinados especialmente ao sistema de São Paulo (que acessa o porto de Santos) e totalizaram algo em torno de R$ 450 milhões nos últimos cinco anos. “Não são investimentos exclusivos para o segmento de contêineres, mas impulsionam todas as rotas ligadas a Santos. Também tem havido investimento em aquisição de material rodante (vagões especializados), mas, por questões políticas, não podemos divulgar os montantes exatos.”

O gerente observa que a MRS tem uma prática inovadora de utilização de vagões gôndola (especializados em commodities) para transporte de contêineres. “A empresa tem uma linha de expansão da rede de terminais, o que é fundamental para suportar as soluções intermodais. Em geral, os investimentos são feitos por nossos parceiros, que operam os terminais.”.

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