Setor de distribuição recupera perdas

Com a retomada do mercado automotivo e a melhora nas vendas de veículos, alguns grupos de concessionárias estão abrindo filiais

A fase de recuperação do setor automotivo já reflete positivamente na rede de distribuição de veículos, que depois de enfrentar a mais dura crise no período de 2015-2016, começa a retomar o ritmo normal.

“Alguns grupos de empresários estão inclusive abrindo filiais para suprir a demanda do mercado”, afirma Alarico Assumpção Júnior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

No período de 2015-2016, considerado pela Fenabrave como o pior para a rede de distribuição e todo o setor automotivo, houve o fechamento de 1.926 concessionárias, o que corresponde à perda de 171 mil empregos. Hoje o setor tem 6.800 pontos de venda no país.

A partir do segundo semestre de 2017, com a recuperação do mercado automotivo, o setor de distribuição começa a registrar resultado positivo de vendas de veículos, o que ajudou a conter o fechamento de concessionárias e a manter o emprego.

“O que pode ocorrer agora, e isso é natural da própria situação do mercado, é a troca de titularidade de um grupo para outro, mas o fechamento de concessionárias foi estancado. Isso é uma poeira deixada para trás”, comenta Assumpção.

De todo o país, as regiões sul e sudeste foram as mais afetadas pela crise, segundo o presidente da Fenabrave, pelo fato de ter maior concentração populacional e um número maior de concessionárias. “No mercado automotivo todos os setores sofreram,

mas a queda maior foi no segmento de caminhões, que chegou a uma retração de 33% nas vendas em janeiro de 2017”, conta Assumpção.

Em sua análise sobre o mercado automotivo, o presidente da Fenabrave afirma que é perceptível a retomada consistente do setor de distribuição e os números de vendas estão de acordo com as previsões da entidade. “Os primeiros três trimestres do ano só não foram melhores por causa da greve dos caminhoneiros, da Copa do Mundo, que provocou queda no fluxo de pessoas nas lojas, e das eleições, que deixaram a população em compasso de espera em relação à decisão de comprar um veículo.”

Embora o avanço do mercado automotivo esteja sendo comparado a uma base muito baixa de vendas contabilizadas no período de crise, mesmo assim Sérgio Zonta, vice-presidente da Fenabrave para a área de caminhões, considera que o momento está muito favorável para os veículos pesados, devido a fatores macroeconômicos positivos, como a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,6% (mesmo que abaixo dos 3% projetados no começo de 2018), a redução da taxa básica de juros da economia (a Selic) de 14,25% para 6,5% ao ano (o que deixou o crédito direto ao consumidor mais atrativo para o financiamento de caminhões) e a volta da confiança do transportador. “O crescimento do mercado de caminhões está atrelado ao PIB; quando ele cresce a indústria avança mais. Isso estimula a venda de caminhões, principalmente os pesados e extrapesados, que estão sendo beneficiados pela boa safra agrícola”, explica Zonta.

“Sabemos que 70% da carga transportada no Brasil está na carroceria dos caminhões.

Além desse grande impulso do agronegócio puxado pela safra de grãos, ainda temos uma frota velha de veículos que precisa ser substituída”, observa o presidente da Fenabrave.

Com a demanda elevada do agronegócio, o estoque de caminhões pesados e extrapesados está zerado nas concessionárias e todas as vendas estão programadas para janeiro e fevereiro de 2019. “Hoje estamos com falta de caminhões pesados e extrapesados para entregar aos nossos clientes”, diz o presidente da Fenabrave.

Por conta desses fatores favoráveis, que ajudaram na recuperação das vendas de veículos, refletindo em resultados positivos de emplacamento até setembro, a Fenabrave revisou para cima suas projeções para 2018.

Para o segmento de caminhões o crescimento estimado para este ano é de 38,2%, com 71.960 veículos vendidos em todo o país, ante um avanço de 24,8% projetado em julho passado. “Este é o maior crescimento para segmento de caminhões pesados e extrapesados”, observa Assumpção.

O mercado de implementos rodoviários, devido à recuperação do segmento de caminhões e da reposição de equipamentos, continua com projeções extremamente positivas, segundo a Fenabrave. “Após a revisão, projetamos um aumento de 75,7% ante a previsão de 58,6% em julho deste ano. Com isso, deveremos emplacar 44.993 unidades neste ano”, calcula o presidente da Fenabrave.

Para o mercado de ônibus, cuja estimativa feita em julho era de uma queda de 4,1% sobre 2017, a projeção atual aponta para um crescimento de 23,2%, o que significa que serão emplacados 18.605 veículos no país. “A estimativa foi refeita devido à retomada das vendas para o programa Caminho da Escola e ao bom desempenho do setor de rodoviários, que está se antecipando à adaptação de mobilidade reduzida para atender à nova regulamentação de acessibilidade”, esclarece o presidente da Fenabrave.

De janeiro a setembro, as vendas de caminhões aumentaram 50,37% em relação ao mesmo período de 2017, passando de 35.344 para 53.147 unidades. “Notamos um expressivo aumento nos níveis de financiamento, com o advento dos bancos privados no segmento e a participação ativa dos bancos ligados às montadoras, bem como a queda acentuada da inadimplência do setor”, comenta Zonta. “Vale ressaltar que o índice de confiança dos frotistas e dos transportadores vem crescendo, o que impacta favoravelmente no segmento.”

O mercado de implementos rodoviários apresenta um crescimento de 82,9% no acumulado de janeiro a setembro de 2018, com o resultado da reposição de equipamentos e das vendas de caminhões pesados e extrapesados. “O setor praticamente dobrou o volume, ao passar de 17.822 unidades de janeiro a setembro de 2017 para 32.599 unidades no mesmo período de 2018”, compara Zonta.

O mercado de ônibus também acompanhou a fase de retomada do mercado automotivo e registra de janeiro a setembro um aumento de 21,91% nas vendas, com 13.264 veículos emplacados, ante 10.880 unidades vendidas no mesmo período de 2017.

Incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus o mercado automotivo somou até setembro 1,84 milhão de veículos, um crescimento de 13,97% em relação aos 1,61 milhão de veículos que foram emplacados no mesmo período de 2017.

Para todo o setor automotivo a expectativa do presidente da Fenabrave é que a trajetória de crescimento nas vendas de veículos continuará em 2019. “Com certeza o mercado vai crescer. Pela experiência que tenho em balcão de concessionária, o que vende caminhão é o crescimento do PIB, o que vende automóvel é a taxa de juros baixa e o que vende moto é a garantia do emprego”, diz Assumpção.

Por