Novo retrato da mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo

Nova Pesquisa Origem-Destino da Região Metropolitana de São Paulo elaborada pelo Metrô-SP mostra que entre 2007 e 2017 cresceu o número de viagens por todos os modos de transporte, menos por ônibus e fretamento

A ampliação do número total de viagens, o crescimento do número de viagens por todos os modos motorizados de transporte com exceção dos ônibus e do fretamento, o aumento das viagens por bicicleta e a pé, a dinamização do táxi e a emergência do transporte de passageiros com base em chamadas por aplicativos. Essas são algumas das constatações da Pesquisa Origem-Destino 2017 da Região Metropolitana de São Paulo, desenvolvida pela Companhia do Metropolitano de São Paulo cujos primeiros resultados foram divulgados em dezembro de 2018.

Trata-se da sexta pesquisa decenal do tipo; antes foram realizadas pesquisas nos anos de 1967, 1977, 1987, 1997, 2007, além de outras duas, com menor amplitude, nos anos de 2002 e 2012. Para estruturar a pesquisa na parte referente às viagens internas à Região Metropolitana de São Paulo, foram visitados 132 mil domicílios dos quais apenas 32 mil restaram validados para a aplicação dos questionários. Ao todo, houve 156 mil pessoas entrevistadas em 11 meses de atividades de campo. Além disso,

foi desenvolvida outra etapa, denominada “pesquisa na linha de contorno”, que detectou as viagens externas à RMSP.

Para a apresentação dos dados, na manhã de 12 de dezembro de 2018, foi escolhido o ambiente ao mesmo tempo técnico e institucional do auditório do Instituto de Engenharia de São Paulo, na capital paulista. A mesa solene da sessão de apresentação reuniu o então presidente Metrô-SP, Paulo Menezes Figueiredo; o então diretor de Planejamento e Expansão dos Transportes Metropolitanos, Alberto Epifani; o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense Pires, e o presidente do Instituto de Engenharia, Eduardo Lafraia.

A apresentação dos dados foi feita pelo arquiteto e urbanista Luiz Antônio Cortez Ferreira, do Metrô-SP.

A época de estruturação e de realização da Pesquisa Origem-Destino da Região Metropolitana de São Paulo – 2017 coincidiu com o período mais agudo da crise econômica do país. Na apresentação dos dados, Paulo Menezes Figueiredo informou que a iniciativa correu risco de não acontecer e que o apoio do Grupo Banco Mundial permitiu que as difi culdades fossem sanadas. Os especialistas do Metrô-SP envolvidos com a pesquisa consideram que, se o estudo não fosse realizado, os prejuízos para o planejamento metropolitano seriam consideráveis, pois muitas das projeções para as próximas décadas seriam feitas com base em dados desatualizados.

Apresentados esse primeiro conjunto de dados iniciais, os trabalhos dos especialistas não cessa. Os próximos passos, já em andamento, são a montagem do banco de dados e o cálculo dos fatores de expansão por zona de origem e destino de população e viagens, incluindo levantamento de dados secundários (população, emprego, viagens), ajustes e validação dos dados primários, expansão dos dados primários, atribuição de renda (análise de regressão, correlação entre o critério classificação econômica usa do no Brasil e a renda declarada, e avaliação por zona e renda), e montagem de variáveis auxiliares: viagens de coletivo/individual, modo principal, faixa de renda, duração de viagens e outras variáveis.

Também estão em andamento a tabulação dos resultados – incluindo a Matriz Origem-Destino, insumos para o modelo de simulação EMME (um sistema de modelagem que possibilita gerar previsões da demanda por transportes em escala urbana, regional e nacional) e a preparação dos relatórios finais. A seguir são mostradas resumidamente as principais constatações da pesquisa.

3,3 Milhoes de viagens a mais por dia em 10 anos

O primeiro relatório da pesquisa mostra que em 2017 eram realizadas 41,4 milhões de viagens por dia na Região Metropolitana de São Paulo, das quais 28,2 milhões, motorizadas (sendo 15,3 milhões por transporte coletivo e 12,9 milhões por veículos particulares) e 13,2 milhões de viagens não motorizadas (com 12,9 milhões de viagens a pé e 0,4 milhão de viagens por bicicletas).

Dez anos antes, em 2007, eram realizadas 38,1 milhões de viagens por dia, das quais 15,2 milhões de viagens motorizadas (sendo 13,9 milhões por transporte coletivo e 11,3 milhões por veículos particulares) e 12,9 milhões de viagens não motorizadas (das quais 12,6 milhões a pé e 0,3 milhão de viagens por bicicleta).

Viagens por ônibus cai 5%

Entre outras informações relevantes, a recente Pesquisa Origem-Destino revela que, entre 2007 e 2017, considerando apenas o modo principal de deslocamento, o número de viagens de ônibus caiu 5% (400 mil viagens a menos por dia na RMSP, de 9 milhões para 8,6 milhões). De alguma maneira, esse resultado corrobora com o que dizem as empresas operadoras de transporte por ônibus sobre a persistente queda de demanda no setor.

 Queda do Fretamento, de 53%, deve ser estudada

Também considerando apenas o modo principal de deslocamento, o transporte por fretamento registrou queda de 53% (de 500 mil para 200 mil viagens por dia). Porém, neste caso, os especialistas da pesquisa acreditam que deva ser feita uma investigação mais detalhada, porque houve mudança na forma como esse tipo de transporte estava organizado na capital paulista: o estacionamento dos ônibus deixou de ser feito em polos específicos e concentrando-se junto a estações metroviárias, de forma que o modo principal de viagem, em muitos casos, talvez tenha sido considerado o metrô.

Grande crescimento do metrô e trem

A pesquisa detectou grande crescimento da utilização dos trilhos como modo principal de transporte na Região Metropolitano de São Paulo. Houve aumento de 53% no número de viagens de metrô (de 2,2 milhões para 3,4 milhões de viagens diárias), e de 55% no número de viagens nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, (de 800 mil para 1,3 milhão por dia). Uma das explicações para esse desempenho dos sistemas sobre trilhos está na ampliação da oferta de linhas e estações do Metrô-SP ao longo da década considerada na pesquisa: em 2007, estavam em operação quatro linhas metroviárias, num total de 61,3 quilômetros, com 55 estações, tendo sido transportados 885 milhões de passageiros durante o ano; em 2017, já operavam cinco linhas, com 71,5 km, 64 estações, e o número de passageiros havia subido para 1,1 bilhão no ano; o sistema concluiu o ano de 2018 com 96 km de extensão e 84 estações. Também é preciso considerar que houve no período abarcado pela pesquisa uma ampla requalificação da infraestrutura da CPTM, resultando no fortalecimento desse sistema como modo principal de deslocamento na Região Metropolitana de São Paulo. De 2007 a 2017, a CPTM manteve-se com 260,8 quilômetros de trilhos e 92 estações (136,5 quilômetros e 46 estações na cidade de São Paulo); e o número de passageiros transportados anualmente cresceu de 465 milhões para 827 milhões no período.

Mais Viagens por Automóveis e motos

Uma notícia que definitivamente não é boa para a mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo diz respeito ao registro do crescimento de 9% na quantidade de viagens de automóveis: (de 10,4 milhões para 11,2 milhões de viagens por dia). O número de viagens de motocicletas teve expressivo crescimento de 42% no período (de 700 mil para 1 milhão de viagens por dia).

Transporte público segue Majoritário

Outra constatação importante possibilitada pela Pesquisa Origem-Destino da Região Metropolitana de São Paulo – 2017 é de que o transporte público continua majoritário em relação aos veículos particulares nas viagens motorizadas. Contudo, é importante observar que diminuiu a diferença entre as viagens por transporte coletivo e as viagens com transporte individual. Em 2002, data da primeira pesquisa intermediária, o transporte individual era maioria na RMSP (52,3% ante 47,7%); quando da realização da pesquisa de 2007, o quadro se inverteu, e o transporte coletivo voltou a ser majoritário (55,3% ante 47,7%), mantendo-se majoritário nos levantamentos posteriores, mas com diferenças sempre menores (em 2012, 54,3% ante 45,7%, e em 2017, 54,2% ante 45,8%).

Mais viagens de bicicleta

No campo da mobilidade ativa, também considerando apenas o modo principal de deslocamento, observou-se crescimento de 32% no número de viagens de bicicleta (de 300 mil para 400 mil por dia).

Deslocamento a pé

Quanto ao deslocamento a pé, o crescimento foi de 1%, de 12,6 milhões para 12,8 milhões; neste caso, é preciso observar que o crescimento foi bem inferior à taxa de crescimento populacional da RMSP (de 7%, de 19,5 milhões de habitantes para 20,8 milhões de habitantes).

Taxis e transporte por aplicativo

Houve ainda o crescimento do uso do táxi, de 90,7 mil para 112,9 mil viagens por dia entre 2007 e 2017, e a confirmação da implantação e expansão do transporte por aplicativo, inexistente em 2007 (ano em que os ‘smartphones’ foram lançados): foram registradas 362,4 mil viagens por dia em 2017.

Viagens externas À RMSP

A Pesquisa Origem-Destino da Região Metropolitana de São Paulo – 2017 detectou que 53,7 mil veículos de passageiros cruzam a Região Metropolitana de São Paulo todos os dias; esses veículos têm origem e destino fora da área metropolitana, significando que a infraestrutura da área é utilizada apenas como rota de passagem.

A RMSP atrai 486,7 mil viagens de passageiros por dia, das quais 349,3 mil originárias de diferentes pontos da Macrometrópole Paulista (regiões metropolitanas e aglomerados urbanos em torno da RMSP), 40,8 mil de outras regiões do Estado de São Paulo e 42,8 mil de outros estados.

A RMSP registra 64,5 mil viagens de carga por dia. Desse total, 43,4 são viagens destinadas à RMSP. Dessas viagens, 29 mil são originárias de diferentes pontos da Macrometrópole Paulista, 4,5 mil de outras regiões do Estado de São Paulo e 9,8 mil de outros estados. Outros 21,1 mil veículos apenas cruzam a RMSP diariamente – esses veículos têm origem e destino fora da área metropolitana.

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