BYD constrói usina solar no interior paulista

O novo complexo de energia irá abastecer a fábrica da empresa em Campinas, os ônibus elétricos da marca e os caminhões elétricos da transportadora Corpus

A fabricante chinesa BYD está construindo na região de Araçatuba, no interior de São Paulo, uma usina solar para abastecer a sua fábrica de Campinas (SP), os ônibus elétricos da marca e os caminhões elétricos da Corpus Saneamento e Obras, empresa situada em Indaiatuba, também no interior paulista.

Neste empreendimento, além da Corpus, a BYD conta com a parceria de outra empresa que ainda não pode ser divulgada, segundo afirmou Carlos Roma, diretor de vendas de veículos comerciais, automóveis, negócios com aeroportos, planejamento do produto e infraestrutura de carregadores, durante o 12º Fórum de Gestão e Conectividade de Frotas.

O diretor da BYD também não revelou o valor do investimento e a data que este novo centro industrial entrará em  operação. Informou apenas que a usina terá cinco MWp (megawatts-pico), equivalentes a 150 mil m2 de área construída, que pode ser expandida até 20 MWp. Segundo Roma, a capacidade de abastecimento depende do tamanho das baterias de cada veículo e de quanto ele roda diariamente.

“No caso do caminhão T8 e do ônibus K9, com uma carga completa de bateria podemos nessa usina de cinco MWp abastecer 100 caminhões ou 75 ônibus”, explicou o diretor.

A usina vai funcionar por meio da captação da luz solar, que será transformada em energia elétrica e despachada na rede de energia até os clientes. “Por meio de uma série de mecanismos técnicos de medição, operação e manutenção da usina solar e de seus clientes, a BYD consegue certificar que toda a energia utilizada pelos seus clientes provém da usina solar”, esclareceu Roma.

Na parceria com a Corpus, a BYD tem um caminhão elétrico em operação há mais de dois anos e mais 20 veículos irão entrar em operação em abril, de um total de 200 caminhões elétricos que a empresa adquiriu para o serviço de coleta de lixo. “Vamos oferecer para a Corpus toda a infraestrutura de abastecimento dos caminhões, gerando energia a partir da fazenda solar”, disse Roma. “Com cinco megas de usina solar se consegue abastecer 50 veículos da Corpus”, calculou o diretor da BYD.

A decisão da Corpus de utilizar um veículo elétrico no serviço de coleta de lixo surgiu de outro projeto. “A empresa tinha um plano de produzir energia por meio do resíduo de aterro sanitário. Pesquisamos e chegamos a um parceiro antigo de mercado, o Carlos Roma, que apresentou o projeto da BYD e junto com a China conseguimos viabilizar este veículo elétrico para o mercado nacional”, relatou Charles Fioravante, gerente de manutenção de frota da Corpus, no Fórum de Gestão.

“Este caminhão veio pronto da China e no Brasil recebeu uma série de modificações na suspensão, na fixação da sus- pensão, no alinhamento de direção e no sistema de segurança.

Também teve alteração no motor elétrico e no acionador do compactador que, com o  desenvolvimento da sua estrutura, tornou-se melhor que o modelo da China, para garantir uma operação silenciosa”, explicou Roma.

A operação urbana do caminhão elétrico da Corpus é realizada em torno de oito horas com uma carga de bateria.

“Com um guincho esse caminhão trabalhou aproximadamente 11 horas e o KPI (Key Performance Indicator), custo por quilômetro, foi um terço mais barato, sem falar dos custos indiretos. O nível de vibração é bem inferior ao modelo a combustão e ainda tem zero de emissão de CO2”, relatou Roma.

O caminhão elétrico adquirido pela Corpus é um modelo 4×2 de 21 toneladas de peso bruto total (PBT). “O veículo tem 30% de capacidade de partida em rampa e se desloca com muita suavidade. A regeneração pode chegar até 30% de energia envolvida”, observou o gerente da Corpus.

FÁBRICA DE BATERIAS

Além de instalar uma usina solar no Brasil, a BYD prepara para o segundo semestre deste ano a inauguração de uma fábrica de baterias na Zona Franca de Manaus. Neste local a empresa chinesa fará a montagem de baterias, que continuarão tendo as suas células importadas da China.

“Vamos produzir inicialmente baterias de fosfato de lítio, mas dependendo da demanda poderemos fabricar outras baterias de matérias químicas”, esclareceu Roma.

O novo parque fabril da companhia foi planejado para suprir o ritmo de produção de ônibus elétricos no país.

“Além do Brasil, as baterias serão exportadas para outros mercados”, afirmou o diretor da BYD.

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