Déficit no setor de autopeças atinge US$ 1,8 bilhão no primeiro bimestre de 2022

As importações atingiram quase US$ 3 bilhões de janeiro a fevereiro deste ano, crescimento de 68,6% sobre o mesmo período de 2021, e as exportações atingiram US$ 1,1 bilhão, incremento de 14,6% sobre o mesmo período do ano passado

Sonia Moraes

A indústria de autopeças registrou, no acumulado de janeiro a fevereiro de 2022, um déficit de US$ 1,8 bilhão, superando em 131,4% o saldo negativo de US$ 808,3 milhões registrados no mesmo período de 2021.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), esse resultado se deve ao movimento das importações que continuam em ritmo de crescimento. No bimestre, as aquisições de autopeças no exterior atingiram quase US$ 3 bilhões, com variação expressiva de 68,6% sobre US$ 1,75 bilhão registrado no mesmo período de 2021.

Em fevereiro, as importações de US$ 1,46 bilhão tiveram uma pequena redução de 0,6% sobre janeiro, o que, segundo o Sindipeças, pode estar associado ao menor número de dias úteis em fevereiro ou às paralisações de agentes federais nas aduanas em alguns períodos nos primeiros meses do ano.

As exportações no primeiro bimestre atingiram US$ 1,1 bilhão, com incremento de 14,6% sobre os US$ 937,7 milhões exportados de janeiro a fevereiro de 2021. Em fevereiro, os embarques alcançaram US$ 604,7 milhões, superando em 28,7% os US$ 469,5 milhões exportados em janeiro neste ano. O Sindipeças destaca que no acumulado de 12 meses o déficit do setor tem sido crescente, o que traz consequências desafiadoras para o horizonte de médio e longo prazo.

Do total de componentes importados de 143 países no primeiro bimestre de 2022, a China se destacou com US$ 559,4 milhões, 57,3% a mais que em janeiro e fevereiro de 2021, e a participação foi 19% nas compras totais das empresas, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 321,9 milhões, 83,5% a mais que o mesmo mês do ano anterior e 10,9% de participação.

A Alemanha alcançou 10,1% de representatividade, com o total de US$ 297,1 milhões, 79% a mais que no primeiro bimestre de 2021. O Japão, que aparece em quarto lugar no ranking, registrou 9,7% de participação, com US$ 284,7 milhões, 87,5% a mais que nos dois primeiros meses de 2021, e a Coréia do Sul, quinto lugar, assegurou 5,7% de participação, com US$ 166,7 milhões, 62,51% maior do que janeiro e fevereiro do ano passado.

Nas exportações destinadas a 177 mercados, os principais foram a Argentina, com US$ 336,1 milhões, 40% a mais que janeiro e fevereiro de 2021, garantindo 31,3% de participação, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 171,7 milhões, 8,9% a mais que no primeiro bimestre de 2021 e 16% de participação.

Na sequência, aparece o México, que absorveu US$ 110,1 milhões, 7,9% a abaixo do mesmo período do ano passado, ficando com 10,3% do total, e a Alemanha, que atingiu 7,7% de participação, com US$ 82,7 milhões, com aumento de 18,8% sobre janeiro e fevereiro de 2021.

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