O desafio da cidade de São Paulo

Entre as várias propostas do prefeito João Dória Júnior para a cidade de São Paulo inclui a melhoria na mobilidade urbana. Tarefa que Sérgio Avelleda, Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, considera não ser fácil. “O mundo moderno se caracteriza por essa imensa urbanização”, disse Avelleda durante o almoço de diretoria realizado pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp). “Vivemos aceleradamente um processo de migração do campo para a vida urbana e São Paulo é um exemplo disso. Até meados do século passado era uma cidade pequena, onde se podia fazer uma viagem em menos de 10 a 15 minutos de ponta a ponta. E de repente, quando a migração veio do campo para a cidade, a capital paulista se transformou nessa imensa mancha urbana, com 23 milhões de habitantes vivendo em 39 municípios ocupados em uma única zona urbana.”

Além de fazer com que as pessoas possam se locomover na imensa cidade de São Paulo, o grande desafio, segundo Avelleda, é viabilizar a vida neste lugar, que significa dar acesso às pessoas que vivem aqui e vendem produtos e serviços que estão distantes. “Uma cidade só se viabiliza e só é competitiva se ela consegue atender à necessidade de trazer a riqueza, os bens e os produtos para serem consumidos e também levar para os destinos de consumo aquilo que ela produz”, analisou o secretário.

Avelleda salientou que a cidade de São Paulo tem 11 milhões de pessoas que vivem muito longe do seu trabalho e da sua renda, que ficaram concentradas na área central da metrópole e as moradias foram cada vez mais sendo levadas para longe deste núcleo central. “Por isso, o sistema de transporte coletivo é muito demandado, com uma população que gasta muito tempo de viagem e tem maiores necessidades de deslocamentos”, apontou o secretário.

“Somente o sistema de ônibus da cidade de São Paulo, que é o maior do mundo, com 14.447 ônibus, transporta 9,5 milhões de pessoas por dia. O Metrô e a Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) transportam aproximadamente oito milhões de pessoas por dia. É um desafio imenso fazer com que essas pessoas possam chegar ao local do trabalho e renda e voltar para suas casas com um mínimo de qualidade de vida, com um mínimo de tempo possível para fazer esses deslocamentos. ”

Segundo Avelleda, ao mesmo tempo em que a cidade de São Paulo tem 5,5 milhões de veículos particulares disputando o espaço, é preciso colocar nas vias ônibus, pedestres, ciclistas, motociclistas, táxis, aplicativos e os caminhões que precisam chegar às cidades para distribuir os produtos. “Esse é o nosso trabalho, disciplinar esta restrição”, ressaltou.

“As decisões são duras de serem tomadas porque é muita demanda para pouco espaço”, disse Avelleda. “Então é preciso eleger prioridades. E o prefeito João Dória, durante a campanha eleitoral, elegeu como prioridade a população carente da região metropolitana que mais precisa de atenção do poder público. Isso implica uma prioridade máxima do transporte coletivo para que as pessoas possam utilizar nos seus deslocamentos porque neste sistema há mais racionalidade, mais produtividade, menos consumo de energia e de espaço”, avaliou.

O secretário de transportes citou como exemplo um ônibus biarticulado, que pode levar 200 pessoas, eliminando a possibilidade de cada usuário utilizar automóveis na cidade de São Paulo. “O índice de ocupação do automóvel na cidade de São Paulo é baixíssimo, em torno de 1,7. Temos num carro de passeio cinco vagas e andamos com 3,3 vagas ociosas em média no deslocamento na cidade de São Paulo”, disse Avelleda.

“Temos alto uso viário com pouca produtividade, com poucas pessoas ocupando esse viário. É preciso eleger uma ação e uma das prioridades é sem dúvida abrir espaço no transporte público. Isso implica em manter a qualidade, abrir mais corredores de ônibus e faixas que possibilitem o aumento da velocidade e atratividade desse modal”, declarou.

Avelleda lembrou que a utilização do ônibus não pode ser feito de maneira a excluir os demais modos de transporte. “É preciso buscar o máximo de organização, com esse princípio de ação de prioridade do transporte público. Não temos no transporte público a máxima virtude e nem o carro teria o máximo defeito. Todos os modais precisam ser integrados. Precisamos favorecer cada vez mais o uso racional desse sistema para que se possa abrir espaço na metrópole”,  orientou.

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